Pentecostes: momento da ternura de Deus

A herança que Jesus deixa aos seus discípulos é um sopro, o sopro que espalancou portas e janelas, que aparentemente os protegiam e expulsou de suas almas, os medos que atravancam a paixão que sentiam pelo projeto do Mestre Jesus. Mesmo sendo narrado como sendo um grande estardalhaço, a vinda do Espírito Santo, chegou carregada de uma ternura jamais vivida. A Divina Ruah, que desde o Princípio pairava sobre as águas e que dava movimento e vida à toda a Criação, chega agora para sacudir com suavidade e ternura, uma nova etapa do Projeto do Deus Criador, impulsionar a Igreja, ou seja dinamizar um sonho de Deus que seu Filho Jesus, viera revelar à Humanidade, “que todos fôssemos um”. Embora com características e dons diferentes, que agíssemos em nome de um único mandamento: o AMOR!

O Espírito Santo, que chega em Pentecostes é a ternura de Deus, é seu coração materno, no qual somos gerados como filhos e filhas muito amados.

Esse Espírito é o sopro que nos une sem nos unificar, nos ligamos com tudo o que temos e somos e é essa união que aparece forte no jeito de sermos Igreja. O Espírito Santo é diversificador, e num matiz de tantas diferenças, consegue fazer-nos semelhantes e até muito parecidos, em nossos sonhos, necessidades e até em nossas feridas.

A Divina Ruah, com seu jeito meigo de ser, alisa as rebarbas de corações feridos, e com a delicadeza de quem ama e ama de verdade, unge-nos com o bálsamo do afeto, purificando em nós aqueles machucados da nossa História Pessoal, que às vezes carregamos com tanto dor.

A experiência de Pentecostes é ímpar e determinante na consolidação de um amor, que oscila entre o desejo de ser, e o terrível medo de perder. Desejo de ser mais, sentir e amar mais, mas ao mesmo tempo ter que abandonar certas armaduras assustadoras, mas que nos protegem. Quando a ternura de Deus, se manifesta, seja em um vento tempestuoso, seja em línguas de fogo e permite, que o nosso coração sinta a presença do amor verdadeiro, a nossa comunicação se torna acessível a todos, porque não precisamos mais de palavras para dizer o que sentimos – nossos gestos falam por si. Para me sentir amado, não preciso ouvir a toda hora um “eu te amo”. Um olhar de ternura na minha dor, um abraço de eu te entendo no meu pecado, falam de um jeito ensurdecedor, do que você sente por mim, e como você me ama.

Pentecostes é isso, é sentir de um jeito novo, a bondade e o amor de um Deus, que me julga com um coração de mãe e me abraça com a força dos braços de um pai. Pentecostes é a imensidão de Deus, que se abre para a minha pequenez, e me faz agigantar-me num eterno abraço. Em Pentecostes, Deus se faz afeto e acarinha meu coração, que pelos percalços da própria vida, foi se tornando solitário e às vezes caustico, afastando de mim irmãos e irmãs, que perambulam pelos corredores da dor e da solidão, e de tão cansados e enfraquecidos se sentam abandonados nas encruzilhadas da tristeza e da desesperança. É aqui que acontece o verdadeiro Pentecostes, quando o Espírito de Deus, toca-nos, amolece nosso coração e nos permite vermos esses irmãos e irmãs, como são: seus filhos amados com o mesmo amor e com o mesmo coração como Ele me ama.

O meu Pentecostes e o seu, é o mesmo, mas só poderá ser sentido, se os nossos corações de filhos e irmãos mesmo diferentes baterem no mesmo compasso: o compasso da ternura e do afeto da Divina Ruah, o sopro de Deus, que nos une.

Feliz Pentecostes! Que a Divina Ruah lhe envolva em seu manto de ternura e lhe alimente com o seu afeto criador.

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Pobre Servo da Divina Providência. Assessor Paroquial da Pastoral da Comunicação. Secretário Executivo do Regional Oeste 1 - CNBB.