Paróquia Santo Antônio quebrando os velhos paradigmas para construir novo itinerário

O projeto de evangelização partindo da Iniciação à Vida Cristã, não é novo, mas desde a sua origem, ele é REVOLUCIONÁRIO, no sentido, que quebra paradigmas rigidamente construídos para engessar a fé e a sua transmissão. A luta que hoje a Igreja está travando para repensar o seu modo de evangelizar, é ainda a mesma luta, que travaram os primeiros cristãos para que o nome de Jesus e sua proposta de reino chegassem até aos confins da Terra, como lhes havia dado como mandato, o próprio Jesus na sua hora derradeira, visível aqui no meio de nós.

Após longa reflexão e estudo, a Igreja do Brasil, configurada nas pessoas dos seus bispos, reunidos em Aparecida – SP no ano de 2017, define como processo de evangelização, o ITERÁRIO PARA FORMAR DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS, que é o Documento 107, que traz todo o embasamento Doutrinal, Bíblico e Pastoral de como re-fazer o caminho de volta ao primeiro amor, a Iniciação à Vida Cristã.

Mesmo já tendo passados dois anos da aprovação do documento, sem contar os longos anos em que se fez estudos, ensaios e laboratórios sobre este processo, ainda pairam dúvidas e resistências em muitas pessoas e igrejas particulares, sobre a sua eficácia. As dúvidas são naturais, quando devemos nos embrenharmos num percurso desconhecido, mas as resistências e a vontade deliberada de não querer fazer a experiência aprovada pela Igreja, isso se torna uma excomunhão, ou seja, quem aposta no contrário, se exclui do caminho, que os Bispos, verdadeiros sucessores dos apóstolos, e com as mesmas prerrogativas dos primeiros servidores do nome de Jesus, iluminados pela reflexão e pela graça do Espírito intuíram como o caminho certo para um verdadeira evangelização.

Em muitas comunidades católicas, bem como em algumas igrejas particulares, ainda ocorre uma situação típica de quem ou não entendeu o processo, ou tem medo de ter que trabalhar e estudar mais. Ao invés de aprofundarem na compreensão e construção do itinerário da iniciação, perdem tempo, dinheiro e energia preocupados com quais manuais vão trabalhar. No itinerário de Iniciação à Vida Cristã, o único manual que conta é a Bíblia, Palavra Vida de Deus.

Temos a impressão, que ainda estamos na mesma situação da Samaritana, ícone que norteia o processo catecumenal. Enquanto  Jesus, a Verdade (o Marido Ideal que ela tanto procurava), insiste em lhe oferecer água da vida, que jorra da fonte de Deus, ela fica preocupada com o poço de Jacó e o balde, elementos importantes para obter água, mas que são apenas assessórios, que não geram a água viva. Jesus, o Messias que ela tanto sonhava encontrar, está diante dela, mas ela continua apegada ao lugar da oração e o modo de adorar. Atitudes como estas, que também nos atingem fazem perdermos muito tempo, quanto deveríamos estar preocupados em fazermos com as pessoas realizem seu verdadeiro encontro com Jesus, na vivência da Sua Palavra, na Comunhão do seu Corpo e na perseverança nos ensinamentos dos apóstolos.

A Iniciação à Vida Cristã, vem romper um paradigma, que ao longo de muitos séculos arruinou a vida da Igreja: os sacramentos do Batismo, Eucaristia e Crisma, que se tornaram num mero rito social, que não importava o quanto a pessoa era comprometida com a fé para recebe-lo, e em consequência disto, arruinou-se também os sacramentos do serviço: o Matrimônio e a Ordem. O Matrimônio deixou de ser um projeto de ajuda a Deus na Criação e passou a ser um evento social onde as famílias medem sua capacidade de impactar a sociedade que a cerca, com o seu poder aquisitivo, que esbanja nas decorações e nas festas do evento. O Sacramento da Ordem, ganhou uma grossa camada de um verniz mundano chamado “status”, onde a salvação das almas, o resgate da “ovelha desgarrada”, a proteção e acolhida dos mais vulneráveis, são apenas discursos vazios, porque prevalecem o apego ao luxo, às vestimentas medievais extremamente extravagantes e inconvenientes, e a prática de rituais incompreensíveis e dominadores, que subjugam a fé ao medo da perdição no inferno, quando se deveria exortar, entusiasmar os cristão a se apaixonarem pelo verdadeiro Deus, Aquele de Jesus de Nazaré.

Para entrar de cabeça, corpo e alma no processo de Iniciação à Vida Cristã, a Paróquia Santo Antônio de Pádua, de Batayporã, Diocese da Naviraí – MS, espalancou as portas fechadas do seu cenáculo, interrompeu as atividades com os seus catequizandos para apostar na preparação daqueles, que são os mediadores do processo, os Catequistas, que durante seis meses, semanalmente e às vezes todo um final de semana, se reúnem para estudarem, refletirem e partilharem a construção do processo de um novo jeito de evangelizar, segundo os moldes de Francisco, uma Igreja que quer sair da mesmice de uma pastoral de conservação e mergulhar em cheio no processo de conversão pastoral, deixar as sacristias e as orações vazias para acontecer nas comunidades e na vida das pessoas.

No último final de semana (05, 06 e 07 de abril), cerca de 50 catequistas de Batayporã e de Taquarussu estiveram reunidos para um primeiro contato com a experiência de uma ação evangelizadora com inspiração catecumenal, sob a assessoria da Ir. Nelsa, vinda de Salvador e apoiados pela presença do Pároco Pe. Everton dos Santos que participou durante todo o tempo.

O encontro serviu como o primeiro teste de como será o novo jeito de anunciar Jesus e celebrar a sua presença no meio das comunidades paroquiais.

Numa atitude decisiva de não mais oferecer os sacramentos da iniciação como mera passagem social pela Igreja, os catequistas presentes no encontro participaram ativamente de cada momento de formação, contribuindo com suas experiências pessoais e seus questionamentos, trazendo novas luzes na perspectiva de construírem um novo paradigma, que nasça da sede de água viva, se transforme em anúncio, e gere o verdadeiro discipulado.

O percurso continua na próxima sexta-feira.

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Pobre Servo da Divina Providência. Assessor Paroquial da Pastoral da Comunicação. Secretário Executivo do Regional Oeste 1 - CNBB.