Da Samaria com a Samaritana a Jerusalém com o Casal de Emaús

Durante três meses e meio, Catequistas e membros COMIPA da Paróquia Santo Antônio de Pádua de Batayporã, Diocese de Naviraí MS, fizeram um itinerário muito especial, que iniciou na companhia da Mulher Samaritana (Jo 4,5-45) e do Casal de Discípulos de Emaús. O que era para ser uma trajetória de cansaço e desânimo, se tornou numa experiência profunda de encontros, que semana após semana foi marcando a vida e a história de cada participantes.

No começo, quando foi decidido parar os encontros de catequese com as crianças, adolescentes e adultos, para dar espaço aos catequistas, que também se preparassem, comentou-se que nada iria dar certo, que inclusive, a catequese iria acabar. Com os encontros, foi-se percebendo quão necessário e importante é fazer algumas paradas no trajeto, para poder fortalecer a caminhada, aquecer o coração e inebriar a alma com a Palavra de Deus. A Igreja pede para que as Paróquias se tornem comunidade de comunidades e que o quanto antes entrem num processo de conversão, aos moldes dos primeiros cristãos, como Iniciação à Vida Cristã; e foi para isso, que ao longo destes meses, se fez esse percurso, que se revelou cheio da graça de Deus e da assistência do Espírito Santo, que ao poucos foi iluminando e inspirado novas descobertas da real presença de Deus Palavra, que depois se torna Corpo e Sangue de Cristo na Eucaristia.

A leitura da Samaritana indicou quais são os maridos que também nós temos. O Curso revelou, que os seis maridos dela, não eram homens e que ela não era nenhuma mulher prostituta. Numa nova perspectiva, ela revela em nós, que aderimos aqueles ídolos e costumes não são  cristãos, que aos poucos vamos trazendo do mundo para dentro de nossas vidas. Os cinco maridos que ela tivera, podem ser também os muitos maridos, que nossas comunidades vão assumindo por acharem bonitos certos tipos de celebrações, certos costumes de outras religiões ou seitas, ou até mesmo algumas atitudes, que chamamos de tradicionais, que são mais costumes pagãos que tradição ou cultura.

Foi na escuta da Palavra e no estudo dos textos bíblicos, que descobrimos, que os fujões discípulos de Emaús, na verdade eram um casal de seguidores de Jesus, e inclusive que ela se chama Maria (Jo 19,25), e que ele é o Cléofas (Lc 21,18), e que no diálogo com Jesus e na fraternidade do Pão partido perderam o medo da noite, a mesma noite que alegaram ser perigosa para  Jesus, e voltaram para Jerusalém para dizerem aos outros que haviam visto o Senhor.

De agora em diante, o caminho, a catequese, o itinerário nunca mais serão os mesmos, sob pena de se estar traindo o próprio Evangelho e a proposta da Igreja. Os catequistas, responsáveis em auxiliarem o Padre a educar o Povo na Fé, o COMIPA, que assumiu o desafio de fazer da paróquia uma expressão viva e autêntica da missão, já não poderão ser mais os mesmos de antes. Não podem se estabilizar em sua zona de conforto, mas assim, como a Samaritana e o Casal de Emaús precisam abandonar os medos e o comodismo e seguirem anunciando, que o Cristo sabe tudo sobre nós e que está vivo no meio de seu Povo.

Não haverá uma segunda vinda. Jesus já está no meio de nós. A hora é agora. Essa é a hora da Palavra, é o tempo de semear a boa semente do Evangelho. É o momento favorável para as mudanças mais radicais. Quem faz um verdadeiro encontro com Cristo, não consegue mais voltar atrás.

A comunidade é testemunha de que esses homens e mulheres que fizeram esse percurso, assumiram compromissos com a Igreja e com os irmãos e assim não podem mais retornar, pois se assim o fizerem estarão abrindo um enorme espaço para o mundo, e o mundo não é nem um pouco piedoso com Jesus e seus seguidores.

Essa é a hora do verdadeiro amor vencer os preconceitos, os medos e salvar tantas almas, que assim como a Samaritana, têm sede da água viva.

E é assim, que de pequenos momentos, nossa Paróquia vai se tornando uma Igreja que aposta na saída, em busca das novas periferias existenciais e sociais como tanto pede o Papa Francisco.