Construção da Paróquia Santo Antônio de Pádua foi desafiadora

Referência da religiosidade de Batayporã, a Igreja Matriz Santo Antônio de Pádua, completa exatos 50 anos neste 2021. Foi em 5 de novembro de 1971 que o templo, erguido pela comunidade local, foi reconhecido como Paróquia Santo Antônio de Pádua, pelo então Bispo da Diocese de Dourados, D. Teodardo Leitz, da Ordem dos Frades Menores.

A história da construção da igreja inicia em 1954, quando instalou-se no coração da comunidade católica o desejo de edificar um templo. No entanto, os anos foram passando e o sonho estava difícil de se tornar realidade.

O primeiro marco de início das obras ocorreu em 1960, quando foi elaborada a planta da igreja, solicitada pela comissão formada pelos saudosos Arlindo Ramos (Presidente), Ernesto Magni Frugulli (Tesoureiro) e Ana Nunes (Secretária), e pelo Padre Marcos Martinez Royo, que na época era vigário de Nova Andradina e atendia a comunidade.

A construção levou alguns anos. Mesmo com a igreja inacabada, por volta de 1965 foram celebradas as primeiras crismas em Batayporã.

Com muita bravura, os incansáveis batalhadores Arlindo Ramos, Ernesto Frugulli e Ana Nunes ficaram por aproximadamente oito anos na coordenação, assumindo a construção da mesma e, por vezes, injetando dinheiro próprio para que a obra não fosse interrompida.

Na época, muitos foram os colaboradores que participaram das atividades em prol a manutenção das despesas da então capela e pela construção em andamento.

Além do desafio de construir o templo, a comissão se esbarrou em outro obstáculo: o de conseguir um sacerdote para os cuidados e a direção espiritual da população batayporaense.

Quando a igreja já estava edificada e em atividade há muito tempo, a comissão visitou o Bispo D. Teodardo solicitando um pároco para a comunidade, quando recebeu dele palavras pouco animadoras de que Padre estava tão difícil quanto encontrar agulha no palheiro.

Em 1970, o Padre Antônio Galiotto, sacerdote secular da Diocese de Caxias do Sul, sabendo da urgente necessidade e da ânsia dos fiéis em contar com um pároco, mudou-se para Batayporã. Inicialmente residiu em um quartinho aos fundos da Igreja, mais tarde a Comissão alugou uma casa e algumas adaptações foram feitas para tornar o local confortavelmente habitável.

Assim o terreno estava preparado para o acontecimento mais esperado por todos: a criação da Paróquia.

Foi então, que aos cinco dias do mês de novembro de 1971 a espera terminou, quando por Decreto Episcopal, o Bispo Diocesano D. Teodardo Leitz, criou a Paróquia Santo Antônio de Pádua, nomeando na mesma data o Padre Antônio Galiotto.

A missa solene aconteceu dois dias depois (7 de novembro), quando o Bispo esteve presente para anunciar pessoalmente a criação da Paróquia e empossar o Padre Antônio como responsável pela comunidade católica local.

Arrojado, como um bom gaúcho, o Padre integrou-se à Comissão da Igreja e promoveu inesquecíveis festas, além de incentivar a formação do Grupo de Jovem, que somou forças aos movimentos já existentes como Marianos, Filhas de Maria e Apostolado da Oração.

Reforma e ampliação da Matriz – Novos ventos começaram a soprar no século XX, quando foram iniciados os trabalhos de reforma e ampliação da Matriz. Com as intervenções, o telhado foi completamente substituído, a fachada do templo foi reestruturada, novas portas e janelas foram colocadas, além da colocação de forro, substituição do piso, adequação nas instalações elétricas e iluminação e restauração de esquadrias e pintura.

O presbitério, as salas de som e da assembleia, a sacristia e o altar também passaram por melhorias. Sem contar que os bancos foram todos trocados, os ventiladores foram substituídos e sistema de ar-condicionado instalado.

O investimento realizado foi possível graças aos eventos como a Festa do Padroeiro, leilões de gado e promoções, sem contar com as doações da própria comunidade.

A reforma e ampliação da Matriz foi concluída e entregue para a população em meados  de 2013.

Primeira Missa – A primeira missa celebrada em Batayporã foi realizada no dia 17 de setembro de 1954, pelo inesquecível Frei Luis Maria Flores, que se deslocava de Bataguassu à cavalo até cidade.

O local da primeira missa foi marcado com uma cruz, onde seria construída a futura igreja. Nas palavras do Sr. Vladimir Kubik “foi assim, nesta clareira rústica de uma natureza exuberante, simulando a futura igreja, cujas paredes tinham como símbolo exótico as densas florestas do Sul de Mato Grosso e como teto o firmamento azul e imperscrutável, que foi realizado, sob expectativa geral, o primeiro ofício religioso de Batayporã”.

Antes da missa, inúmeras canções religiosas foram interpretadas pelos presentes, destacando-se o coro das crianças, e ainda rezado o terço. Após a celebração religiosa ocorreu alguns batizados.

Na ocasião, os presentes escolheram como padroeiro São Bom Jesus da Lapa, que anos mais tarde foi substituído por Santo Antônio de Pádua.

Texto: Aline Leão/Jornalista – Maria Tereza Dan