AGOSTO MÊS VOCACIONAL! ENTREVISTA COM PADRE ÉVERTON

Em comemoração ao dia do Sacerdote, neste primeiro domingo de agosto, a PASCOM (Pastoral da Comunicação) fez uma entrevista com nosso pároco Padre Éverton dos Santos.

Como se deu o seu discernimento vocacional?

Segundo meus familiares, desde muito pequeno eu dizia que queria ser padre. Mas meu despertar vocacional aconteceu quando por volta dos 8 anos de idade comecei a catequese, e também passei a participar do grupo dos coroinhas na Paróquia de Bataguassu. Gostava muito de ir às missas e à catequese. Quando já estava um pouco mais crescido, por volta dos 11 anos, comecei a participar do grupo de adolescentes e do grupo vocacional. Este grupo vocacional era formado por meninos e meninas e a gente se encontrava uma vez por mês, geralmente na casa das Irmãs Pobres Servas. Éramos acompanhados pelos religiosos e religiosas da paróquia. Havia o momento de oração e espiritualidade, seguia-se o momento de partilha dos alimentos que levávamos, e depois o esporte ou alguma brincadeira que fazíamos no pátio da casa das Irmãs. Acredito que todas essas atividades e a proximidade com os religiosos e as religiosas me fizeram pensar na minha vocação e perceber que ser religioso e ser padre poderia ser pra mim também.

Em julho de 1999, fui pela primeira vez até a nossa Casa de Formação, em Campo Grande, o Centro de Orientação Vocacional Rainha dos Apóstolos (COV). Fiquei encantado com aquele lugar. Voltando pra casa continuei minhas atividades na paróquia e fui acompanhado e visitado também pelo animador vocacional da época. Em dezembro de 2000, fiz a semana de estágio no COV e fui convidado a entrar no processo de formação. Entrei então no final de janeiro de 2001.

Resumindo, segui a caminhada formativa na Congregação já morando no Rio Grande do Sul. Em 01/01/2008 fiz os primeiros votos como Religioso Consagrado. Fui ordenado diácono no dia 03/06/2012 no Santuário Imaculado Coração de Maria, em Nova Andradina e ordenado padre em Bataguassu, no dia 08/12/2012, Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

O que o senhor tem a nos dizer sobre a importância do Sacerdócio?

Após quase 8 anos da minha ordenação, posso dizer que descubro e experimento a cada tempo uma nova dimensão da importância do sacerdócio. Quando ainda era coroinha, eu acompanhava o padre nas comunidades rurais de Bataguassu e via como as pessoas ficavam felizes em celebrar e comungar da eucaristia. Pessoas simples, das fazendas, dos assentamentos que podiam através do padre ser batizadas, participar da missa, receber a bênção.

Com o passar do tempo de formação e agora, depois de ordenado, pude entender ainda mais sobre a dimensão da ação de Deus na pessoa do sacerdote. Pois não é por minha própria força, mas pela graça de Deus que atua em mim pelo sacramento da Ordem que as pessoas podem encontrar Jesus nos sacramentos da eucaristia, da penitência e da unção dos enfermos.

Também na função de pároco que exerço atualmente vejo a responsabilidade em ser um catequista e animador da comunidade, de modo especial no trabalho das pastorais e serviços e no acompanhamento dos movimentos que atuam na paróquia.

É no sacerdote que muitas pessoas buscam ânimo, consolo e orientação, principalmente nos momentos mais dramáticos da vida. E o padre deve acolher tudo isso como um pai, que abraça, que escuta mas que aponta para a Verdade de Jesus e do seu Evangelho.

Por fim, mas não menos importante, o sacerdote é aquele que em nome da Igreja fala de Deus às pessoas, mas deve também falar das pessoas a Deus através da oração e de modo especial da Sagrada Eucaristia que oferece pelo povo a ele confiado.

É uma responsabilidade e tanto.

Quais os desafios e as alegrias desta missão?

Penso que a primeira alegria é justamente poder levar Jesus às pessoas. É muito bonito quando através do nosso ministério sacerdotal percebemos que as pessoas se aproximam ainda mais de Jesus e/ou iniciam um caminho de vida cristã.

Assim também é uma alegria quando percebo que a comunidade se anima na ação missionária paroquial participando das atividades propostas com empenho, das pastorais, dos movimentos e dos serviços.

Quanto aos desafios, acredito que o primeiro deles é o como evangelizar em um mundo plural e em constante transformação. A cada dia surgem novidades, positivas e negativas, com as quais precisamos lidar, e isso influencia também no modo de viver a fé e a religião.

Um segundo desafio é justamente o como manter os agentes de pastorais comprometidos com a missão, que tantas vezes exige alguns sacrifícios. Mas também o desafio de fomentar novas lideranças na comunidade, principalmente com relação aos mais jovens.

O que dizer para quem se sente chamado ao sacerdócio?

Primeiramente, permita-se questionar sobre essa possibilidade. Percebo que alguns jovens sentem o interesse em conhecer mais sobre a Vida Religiosa e a Vida Sacerdotal, mas falta-lhes coragem de ir se informar. Nem todos os que entram no seminário se tornarão padres, mas ao menos se deixam questionar e serão ajudados no seu discernimento. Portanto, manifeste sua inquietação ao padre na paróquia.

Depois, é muito importante ser cada vez mais amigo de Jesus. Ele é o Sacerdote por excelência e modelo para todo sacerdote. E na oração pedir que mostre qual o chamado que Ele tem pra sua vida. O Senhor sempre diz. É claro que Ele não manda mensagem no Facebook, nem no WhatsApp. Mas alguns sinais vão se apresentando, daí com a ajuda e orientação de um padre ou religioso é possível ir refletindo sobre tudo isso.

Por fim, lembre-se que o padre não é uma criatura sobrenatural. Ele é ser-humano como qualquer outro. Também joga futebol, também tem amigos, também pode ir ao cinema ou à sorveteria. Mas precisa estar disposto a abrir mão de algumas coisas pelo bem maior que é Jesus, o seu Reino e o bem das pessoas às quais ele é enviado.

O senhor teria alguma mensagem para outros padres no dia do sacerdote?

Eu louvo e agradeço a Deus por todos os sacerdotes que passaram pela minha vida. Todos que foram e são referência na minha caminhada.

Também agradeço pelo sim de cada sacerdote, de modo especial daqueles que estão em missão na Amazônia, na África e no Oriente Médio; peço a Deus Pai providente que os sustente principalmente nos desafios e nas perseguições que sofrem.

Que Jesus, Bom Pastor, modelo de todo sacerdote faça surgir muitas e santas vocações sacerdotais também da nossa comunidade paroquial.

Por Glaucia Bravin

Coordenadora da PASCOM

PASCOM
Pastoral da Comunicação